07h00 - quinta, 28/12/2017

Misericórdia de Beja
"combate" a solidão

Misericórdia de Beja "combate" a solidão

Nos dias em que chuva ameaça cair dos céus as ruas empedradas de Beja ficam mais cinzentas, entristecem. Uma tristeza que também cruza as portas da casa onde Veneranda Militão, de 80 anos, vive sozinha no centro da cidade, paredes meias com o Largo do Carmo (por sinal um dos locais mais movimentados de Beja). Viúva, o contacto com os dois filhos é quase inexistente. Os irmãos estão longe e vizinhos nem vê-los. "Tinha dias que só via as paredes de casa", conta de voz embargada e uma ponta de lágrimas a querer romper pelos olhos.
Veneranda Militão não utiliza o verbo "ter" no pretérito imperfeito por acaso. É que esta antiga trabalhadora no hospital da cidade encontrou duas novas amigas: Ana Rita Guerreiro e Marisa Carvalho, as assistentes sociais da Santa Casa da Misericórdia de Beja (SCMB) que trabalham no projecto "Ao encontro de um amigo". Uma iniciativa que permitiu a esta octogenária ter finalmente alguém com quem conversar e, sobretudo, combater a solidão que lhe consumia os dias.
"A minha sorte têm sido estas meninas! Agora sinto-me acompanhada, o que antes não acontecia", confidencia Veneranda Militão, que foi a primeira utente do projecto nascido no final de 2016. Chegou a ele no último dia de Janeiro de 2017, depois de ouvir falar da iniciativa na Rádio Pax. "Inscrevi-me e a menina Ana [Rita Guerreiro] veio logo cá a casa no outro dia…" O discurso volta a parar, travado pelas lágrimas.
Quase um ano depois são já 11 as pessoas – incluindo Veneranda Militão – apoiadas pelo projecto da SCMB, numa iniciativa que nasceu com o simples propósito de dar resposta a algumas "lacunas" sentidas no terreno.
"Se por um lado, temos uma população jovem, que tem um enorme futuro e que está a encontrar, a partir do Alqueva, uma nova realidade a vários níveis, por outro lado, temos uma população mais idosa, que está a ficar esquecida e para trás devido à emigração dos seus descendentes e pela própria sociedade que isola muito as pessoas", nota o provedor da Misericórdia de Beja, João Paulo Ramôa.
Ana Rita Guerreiro, a coordenadora do projecto, complementa a ideia: "Já temos as estruturas residenciais e os apoios domiciliários suficientes, mas aquilo com que nos debatíamos eram os idosos que não estavam nem numa resposta nem noutra. Estavam sozinhos, em solidão, sem conseguirem sequer marcar uma consulta médica ou ir às compras. A nossa principal ideia foi começar a fazer estas visitas domiciliárias para combater a solidão e, ao mesmo tempo, prestar este apoio que faltava".
No início o projecto previa a participação de voluntários, mas o facto de exigir muito tempo a todos fez com que isso deixasse de acontecer. Mas o trabalho não parou e o balanço é bastante positivo. "Os resultados são fantásticos e notamos melhorias enormes nas pessoas que estão connosco. Aquilo que mais sentimos é que já não estão sozinhas e que somos a família que não tinham. E isso é extraordinário! É a mais-valia deste projecto, sem dúvida nenhuma", diz Ana Rita Guerreiro.
"Até costumam dizer 'agora tenho uma filha nova' ou 'agora tenho uma neta nova'", acrescenta a gracejar Marisa Carvalho. "E quando nós não vamos lá, vêm elas ter connosco à Santa Casa. Às vezes até trazem um lanchinho! Tem sido muito bom e veem-se grandes melhorias", diz a assistente social que agora realiza a maior parte das visitas domiciliárias do projecto "Ao encontro de um amigo".
Marisa Carvalho garante que nas conversas que vai mantendo com os utentes do projecto se sente mais como uma amiga do que uma técnica. "Aliás, o nosso objectivo nunca foi ser técnico. Este é um programa de companhia. E aquilo que somos na casa daquela pessoa é aquilo que ela pretende que nós sejamos – uma amiga, uma prima, uma filha –, estabelecendo laços familiares, laços de vizinhança, e tentando dar-lhes o que tiveram há muito tempo e que agora é complicado terem", observa Ana Rita Guerreiro, não escondendo que "ainda há" muita gente nestas circunstâncias. "E cada vez mais! Pessoalmente não esperava encontrar tanta gente nestas condições", admite.
Por isso mesmo, o projecto "Ao encontro de um amigo" não vai parar. "O grande desafio era que pudesse diminuir o número de pessoas a necessitar deste apoio. Mas uma vez que isso não depende de nós, queremos ir alargando este apoio", sublinha Ana Rita Guerreiro.
Veneranda Militão ouve estas palavras e sorri. "Agora estou garantida! Não tenho os meus filhos, mas tenho estas meninas que são como minhas filhas", conclui, esboçando um sorriso.


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Data: 12/01/2018
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