00h00 - sexta, 13/04/2018

Ainda há pastores
no Campo Branco!

Ainda há pastores no Campo Branco!

Faça chuva ou sol, para eles o trabalho nunca acaba: seja porque é preciso dar de comer às ovelhas ou conduzi-las a um novo ponto de água, seja para mudar os animais de pastagem ou ajudar nas parições, os pastores têm sempre que fazer.
São é poucos os que ainda querem fazer este trabalho solitário, onde não há feriados nem fins-de-semana e que exige longas jornadas em campo aberto, só ouvindo chocalhos, balidos… e o ladrar do cão de guarda.
"Isto é uma vida muito presa", confidencia ao "CA" José António Brito, 46 anos, natural de Entradas (Castro Verde) e um dos pastores que ainda hoje existem no Campo Branco. No rosto carrega as marcas de dias e dias passados ao ar livre, com as cerca de 1.200 ovelhas que tem à sua guarda. "O que custa mais é o mau tempo, o frio, a chuva", afirma.
José António Brito começou a ser pastor aos 19 anos. E fá-lo por "gosto", tal como acontece com Mário Galamba. "Toda a vida o meu pai foi pastor e eu segui os passos dele. E é isto que gosto mesmo de fazer! Não estudei porque não quis, dediquei-me ao gado e tenho andado sempre com o gado", conta ao "CA" este pastor de 51 anos, que guarda um rebanho com quase mil ovelhas na zona de Aljustrel.
O mesmo acontece com João Custódio, 51 anos, da Trindade (Beja). "Saí da escola aos 14 anos e comecei a andar atrás do gado", revela com boa disposição. "Agora tenho umas 1.070 ovelhas e passo o dia no campo", diz, para logo revelar que entretêm as horas vagas com… o telemóvel! "Está um [pastor] em Évora, está outro noutro lado e fala-se com um, fala-se com outro… E é assim que a gente passa o tempo. Estamos anos sem se ver, mas falamos todos os dias. O telemóvel é a nossa entretenga", acrescenta.
"Pois eu passo o dia atrás do gado, cantando uma cantiga atrás delas [ovelhas] e com os meus cães por companha. E vão-se passando os dias… E em elas dando vagar, vamos beber um copinho à taberna mais próxima", conta Mário Galamba. Já José António Brito aproveita as horas de pastoreio para, sempre que pode, moldar figuras em cortiça ou outros materiais. "Pego na faquinha e vou fazendo uns bonecos… Já que não há outra maneira de a gente se entreter, faz-se assim".
João Custódio, Mário Galamba e José António Brito são pastores por opção própria e não se arrependem do caminho que seguiram, apesar da dureza do trabalho.
"Antigamente havia o 'moiral' e havia o ajuda. Agora é uma pessoa sozinha para o gado todo. E antigamente os rebanhos eram mais pequenos, agora são maiores", diz Mário Galamba, numa opinião partilhada pelo cunhado João Custódio. "As cercas ajudam mais os patrões, porque evita a mão-de-obra. Antigamente um rebanho de 1.000 ovelhas, como o que eu trago, se calhar precisava de quatro pessoas. E agora tenho de fazer tudo sozinho", nota.
"É claro que tem de se ter um bocadinho de trabalho! Não é a gente jogá-las para ali, voltá-las e pronto", observa por sua vez José António Brito, dando o exemplo dos últimos meses, em que a falta de chuva obrigou a um esforço suplementar dos pastores. "Com a seca isto complica-se um bocado. Temos de tratar [os animais] à mão e é mais complicado. Foram sete ou oito meses duros. E esta chuvinha foi uma maravilha, é ouro", diz.
Para estes três homens, é tudo isto que faz com que hoje sejam poucos os jovens que querem ser pastores. "Hoje a escola é obrigatória, uma pessoa faz o 12º ano e depois vai guardar ovelhas? Já não vai… Ninguém quer saber disto! Isto vai ficando acabado e daqui por mais 20 anos pode haver pastores, mas são os próprios donos do gado. Pastores empregados de patrões já não deve haver", observa João Custódio.
A mesma opinião têm Mário Galamba e José António Brito. "A malta nova hoje não pende para isto… Vemos uns velhotes, já reformados, com 70 e tal anos, atrás do gado porque não há novos que queiram ir para o lugar deles. E por ser mal pago não é… Mas é uma vida presa. E qual é o jovem que quer saber de estar preso hoje?", questiona o primeiro. "A malta nova não quer saber disso, gosta de estar mais livre", conclui o segundo.


COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado
07h00 - terça, 18/09/2018
Protocolo entre
Câmara de Aljustrel
e Associação Dignitude
A Câmara de Aljustrel e a Associação Dignitude assinaram nesta segunda-feira, 17, um protocolo de colaboração tendo em vista a concretização do programa ABEM-Rede Solidária do Medicamento no concelho.
07h00 - terça, 18/09/2018
EMAS Beja alcança
os melhores resultados
dos últimos 10 anos
A Empresa Municipal de Água e Saneamento (EMAS) de Beja faz um balançao "extremamente positivo" dos trabalhos da intervenção global de substituição de ramais que decorre por todo o concelho de Beja desde o início de 2018.
07h00 - terça, 18/09/2018
Vestígios arqueológicos
encontrados em Ourique
As obras de requalificação do centro histórico de Ourique, promovidas pela autarquia local, revelaram um conjunto de importantes testemunhos patrimoniais reveladores da história da vila, da população e dos seus hábitos comunitários de outros tempos.
07h00 - segunda, 17/09/2018
CIMBAL apresenta contributos
ao Plano Nacional de Investimentos
A modernização e electrificação da linha ferroviária do Alentejo e a afirmação do aeroporto de Beja como a Lisboa e Faro são duas das propostas apresentadas pela CIMBAL para o Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030.
07h00 - segunda, 17/09/2018
CIMAL quer fundos da UE
para água e saneamento
Os presidentes das cinco câmaras que foram a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL) reúnem nesta segunda-feira, 17 de Setembro, em Lisboa, com o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins.

Data: 14/09/2018
Edição n.º:
Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial