07h00 - terça, 05/11/2019

"Demografia é o
grande adversário do
Politécnico de Beja"

"Demografia é o grande adversário do Politécnico de Beja"

O Politécnico de Beja assinala nesta terça-feira, 5 de Novembro, 40 anos de existência. São quatro décadas a formar os jovens da região (e não só) e a produzir conhecimento, reconhece em entrevista ao "CA" o presidente do Instituto, João Paulo Trindade, garantindo que os desafios para o futuro são mais que muitos.

O Politécnico de Beja (IPBeja) assinala 40 anos neste dia 5 de Novembro. Qual a principal marca do Instituto na região?
Diria que a grande marca do IPBeja na região passa, desde logo, pela sua existência. A existência de um instituto politécnico na região – e em Beja em particular – tem naturalmente tido um impacto muito significativo ao longo destes 40 anos. Porventura, a sua não-existência teria levado a que esta região apresentasse dificuldades ainda maiores que aquelas que apresenta.

Sente que o IPBeja transformou a região para melhor?
Contribuiu seguramente para isso, quer naquilo que são as suas áreas principais de formação como também na sua capacidade de resposta a investimentos que foram ou queiram ser realizados aqui. É claramente um contributo positivo aquele que o IPBeja tem dado à região, além de, por si só, ser um dos grandes empregadores da região.

A região reconhece esse mérito do IPBeja ou por vezes sentem que são esquecidos?
A região reconhece… Não só nas palavras, mas também nos actos. Temos tido sempre uma disponibilidade grande e uma forte colaboração por parte dos parceiros locais que julgo que deve ser sublinhada. A vários níveis! Isso é uma forma de, por um lado, reconhecerem credibilidade, prestígio e capacidade ao próprio IPBeja. E também, por outro lado, é o reconhecimento da sua importância na região.

Como é que o IPBeja, estando no interior, resiste face à "concorrência" do litoral?
Esse é porventura um dos nossos maiores desafios. Costumo dizer que o nosso grande adversário é a demografia e esta tendência para deslocar tudo o que é actividade económica e pessoas para o litoral. Por isso, resistimos com esforço e com um investimento permanente, no sentido de conseguirmos, por um lado, encontrar formas de captar a atenção de potenciais estudantes da nossa região, o que nem sempre é fácil. A verdade é que nós – instituto e cidade – ainda não temos a capacidade de ir a outros locais do país e ser suficientemente atractivos para que um estudante se queira deslocar para o IPBeja.

Como é que se consegue isso?
Com a oferta e a qualidade da formação no IPBeja – que é uma questão cada vez mais ultrapassada, porque há uma lógica de acreditação de cursos por uma agência nacional. Mas também é verdade que, muitas vezes, para o candidato, a questão do curso ou da formação pode não ser a única que ele coloca quando procura o ensino superior. Há muitas vezes outros argumentos e outras razões que o levam a escolher [determinado curso]. E aí é uma tarefa que nos cabe a todos, não é exclusiva do IPBeja. Porque muitas vezes escolhe-se uma cidade por ter um conjunto de ofertas e dinâmicas que o jovem procura, não apenas pelo curso 'X' ou 'Y'. E obviamente que temos aqui fortes concorrentes de outros locais do país e até do estrangeiro, que leva muitas vezes o estudante – apesar de gostar do curso [no IPB] – a ir para outros locais, por não se sentir atraído por Beja.

Ou seja, para o IPBeja ser mais atractivo e cativar mais alunos, também a cidade e a região o têm de ser?
Julgo que sim! Há aqui uma ligação que não pode deixar de estar presente nesta lógica de atracção de estudantes, quer para os manter [em Beja] quer para os trazer de fora. Por outro lado, precisamos de incentivar os próprios jovem da região a ficarem cá. Temos desenvolvido – até junto de municípios da região – o programa "Ficamos por cá", em que vamos aos municípios e explicamos que os estudantes de cada um dos concelhos do distrito que escolham o IPBeja como primeira opção têm um condições favoráveis que disponibilizamos. Por exemplo, ao nível do alojamento ou de candidaturas a bolsas do próprio instituto, no sentido de criar mecanismos de incentivo que levem os jovens e as famílias a optarem por uma solução que, muitas vezes, não estariam a pensar nela. Aliás, esta questão do alojamento é uma área a que temos dado particular atenção. Porque é um factor que pode pesar na decisão de quem tem de se deslocar e é confrontado com as dificuldades de alojamento e o preço que o alojamento tem hoje na maior parte das cidades com ensino superior.

Nesta área do alojamento, está previsto o reforço da oferta actual?
Temos tido nos últimos anos um crescimento significativo da utilização [das nossas residências]. Neste momento temos uma oferta que ronda as 420 camas, que comparativamente com outras instituições é bastante razoável, e mantemos a intenção de alargar o número de camas a disponibilizar aos nossos estudantes. Isso será feito de formas diversas: quer através de recuperações e remodelações que estamos a diligenciar em instalações nossas, quer através de parcerias com outras entidades – como foi o caso recente do prédio da Casa do Estudante, em Beja –, quer através de outros parceiros regionais com quem estamos a trabalhar no sentido de aumentar essa oferta de alojamento.

O IPBeja tem actualmente quatro escolas superiores (Agrária, de Saúde, de Educação e ESTIG). Admite a aposta em novas áreas mais emergentes?
Julgo que o IPBeja deve estar sempre atento àquela que é a dinâmica regional, nacional e até internacional. Àquilo que é a nova realidade e àquilo que é a procura, até sob o ponto de vista dos empregadores. Por isso, o IPBeja tem de ir – e isso tem sido feito ao longo destes 40 anos – consolidando as suas áreas de excelência. Temos que estar atentos a esta dinâmica, mas também é preciso que se perceba que são alterações que não se conseguem produzir com a rapidez que desejaríamos.

Porquê?
Porque as áreas de formação levam vários anos a ser consolidadas, desde a constituição do corpo docente que hoje é exigida até aos laboratórios que têm de oferecer aquele tipo de respostas ou ter aqueles equipamentos… Portanto, estas questões não se constroem de um dia para o outro. E depois de construídas também não podemos, de um dia para o outro, dizer que todo o investimento feito aquela área é para abandonar. De qualquer modo, isso não faz com que não estejamos atentos a novas realidades e temo-lo feito, já com alguns passos dados, por exemplo, na questão da Aeronáutica. E há outros exemplos de áreas que são emergentes e onde nós temos já um papel desempenhado e um reconhecimento considerável, como, por exemplo, na área da ciber-segurança.

O corpo docente tem de obedecer a uma série de requisitos. É fácil cumprir essas exigências ou sente que acontece muito como na Saúde, em que os médicos não querem vir para a região e para o IPBeja?
Grande parte do nosso docente tem mantido alguma estabilidade. Isto é, muitos dos docentes que estão actualmente no IPBeja têm desenvolvido aqui a sua carreira. Agora, nalgumas áreas específico isso sente-se, é verdade. E depois também há o inverso: a capacidade do IPBeja em conseguir manter algum corpo docente e alguns investigadores, que quando atingem um determinado nível de formação têm, muitas vezes, a tendência de seguir outros desafios lá fora, que são mais aliciantes. Mas de um modo geral, temos conseguido algum equilíbrio, quer ao nível da captação quer ao nível da manutenção [do corpo docente], não sendo por isso uma situação dramática.

O distrito de Beja é imenso. Já existiu a hipótese ou estão a avaliar a possibilidade de haver pólos do IPB noutros pontos da região?
Isso já foi pensado, nalguns casos até tentado… Mas a nossa estratégia actual, mais que criar pólos noutros locais, passa por uma oferta diversificada em termos geográficos de formações que possamos ter no IPBeja. Dou o exemplo de um caso recente, que está pronto a iniciar ainda neste ano lectivo…

Qual?
Em parceria com a Câmara de Moura e com a Escola Profissional de Moura vamos iniciar a formação de um Curso Técnico Superior na área do Turismo [Informação e Comercialização Turística] a uma turma em Moura, provavelmente com a vinda dos estudantes uma vez por semana a Beja. E esta lógica já está a ser trabalhada para outras formações noutros locais. Esta diversificação acho que é perfeitamente possível, até desejável, e vai com certeza ser concretizada. Mas não com essa estrutura de pólo, que tem outras necessidades e até custos associados.

Estão previstas obras no campus do IPBeja? A última grande intervenção foi a construção da nova ESTIG, inaugurada há quase sete anos…
Construção de raiz não está nada previsto. As acções que temos previstas passam essencialmente pela requalificação de alguns espaços que temos no Instituto e que merecem ser melhorados. É o caso dos pavilhões pré-fabricados, já com vários anos e vamos requalificar. E há depois outras áreas específicas que carecem de intervenção…

Quais?
Estou a pensar em espaços de actividade física ligados ao curso de Desporto. E também num projecto que já temos aprovado em candidatura e que vai permitir uma intervenção considerável no Centro de Experimentação Agrícola da Escola Superior Agrária. A candidatura ronda os 700 mil euros e é financiada a 85% pelo Alentejo 2020. Haverá depois um esforço do instituto, que consideramos importante concretizar.


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Data: 06/12/2019
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