07h00 - sexta, 09/10/2020

São Miguel e Castro Verde: uma devoção com séculos

São Miguel e Castro Verde: uma devoção com séculos

O padre Luís Miguel Fernandes revela que a devoção das gentes de Castro Verde a São Miguel remonta ao ano de 1566, mais concretamente à vila de Entradas, onde segundo os relatórios das Visitações da Ordem de Santiago "é descrita uma ermida, em ruínas e da qual apenas sobrava os alicerces, dedicada ao Arcanjo 'que foi matriz desta vila, em outro tempo'".
Também na estrada entre Castro Verde e Casével foi construída, entres os séculos XVII e XVIII, uma ermida dedicada ao Santo Arcanjo, onde em 1714 se descobriu "'uma fonte de milagre' que ainda hoje permanece como sinal desse acontecimento que virou a história desta vila e concelho", continua o pároco.
"Desde então aquela ermida que outrora estava abandonada, tornou-se o centro de imensos milagres e alvo da devoção dos castrenses que rapidamente a divulgaram até chegar a Lisboa", continua o padre Luís Miguel Fernandes, acrescentando que "por intervenção" de D. João V, e aproveitando "a presença dos melhores mestres em todas as áreas de construção e decoração que estavam na edificação da Basílica Real, foi autorizada e financiada a construção de uma nova ermida (a actual) um pouco mais acima da "fonte santa" para que o Arcanjo fosse dignamente honrado e os seus romeiros e peregrinos pudessem encontrar guarida necessária para as suas peregrinações".
Segundo o pároco castrense, tanto D. José como D. Maria I "continuaram o legado de enriquecer esse templo, tendo esta última o privilégio de encimar o arco triunfal com as suas armas e deixar o seu nome no sino que ainda hoje lá está".
"Assim sendo, aquela ermida não é unicamente uma devoção popular mas, ao ser patrocinada pelas esmolas dos devotos, pelas doações da Ordem de Santiago e da Coroa, foi uma realidade que se impôs em todo o Alentejo e até na vizinha Espanha", complementa.
O padre Luís Miguel Fernandes assegura mesmo que, "a par disto, a Confraria de São Miguel que tratava de toda a organização do culto e das contas por várias vezes ajudou em diversas calamidades no decorrer dos séculos seguintes e servia inclusive de 'banco' para guardar e financiar projectos não só religiosos mas também para a vida social da vila".
"Aquela ermida foi assim centro religioso e espiritual, centro de arte e cultura (ainda patentes), centro económico e de desenvolvimento – até mercado tinha! – da vila e do concelho de Castro Verde", conclui.


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Data: 20/11/2020
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