11h46 - quinta, 16/03/2017

Parabéns "CA"


Napoleão Mira
Se em 2006 fundar um jornal regional foi um repto quase insano, mantê-lo ao longo de 11 anos, tem sido um desafio que tem tido tanto de aliciante como de complexo.
Aliciante porque há que reinventar a diário a fórmula de o fazer e, complexo, porque numa região com o frágil tecido económico que se lhe reconhece, angariar a publicidade necessária à sua subsistência não é, nem nunca será, tarefa fácil.
Ao longo destes onze anos, o "Correio Alentejo" tem mantido com os seus leitores um compromisso de independência e pluralidade de opinião, que fazem dele uma referência jornalística na região.
Para mim, como mero colunista e observador externo, continuo a pensar que, num tempo em que os jornais nacionais em suporte papel se supõe terem os dias contados, os pequenos jornais regionais como o "CA", parecem resistir melhor à voragem dos tempos e à introdução das novas tecnologias.
Com uma clientela leitora fiel e conservadora, o "CA" em papel, funciona junto da população local e da diáspora alentejana espalhada pelo país e pelo mundo como uma âncora; como um elo de ligação às coisas que são só nossas; como uma janela que se escancara e se debruça sobre as temáticas que aos alentejanos dizem respeito.
Mas, nem só de papel vivem os jornais. A aposta na Internet foi um desiderato que acompanhou esta publicação desde a sua fundação. A preocupação de manter o formato tradicional bem como da sua versão electrónica, são uma feliz combinação e a fórmula mais eficaz de levar este projecto editorial mais adiante.
Dizia-me há tempos um emigrante radicado na Suíça que, embora tivesse acesso aos conteúdos via Internet, não havia sensação como: chegar a casa, abrir a caixa do correio e deparar-se com o jornal da sua terra.
Nesse dia – acrescentava ele – lia-o de ponta a ponta demoradamente e, mesmo as noticias de que já tivera conhecimento, lhe pareciam ter outro sabor lidas ali impressas no papel.
E, porque sem leitores não há jornais nem jornalistas, estes 11 anos de cumplicidade com quem nos lê, são-no celebrados em forma de um imenso... OBRIGADO!



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