12h39 - quinta, 06/08/2020

A força positiva da agricultura


Pedro do Carmo
Por mais moderna, inovadora e cosmopolita que uma sociedade se possa considerar, terá sempre na ruralidade e na agricultura pilares fundamentais da qualidade de vida, da soberania e da capacidade de resiliência perante as adversidades.
A agricultura como expressão do Mundo Rural, fonte de abastecimento dos consumidores portugueses com produtos de excelência e contribuinte para as exportações nacionais, tem um posicionamento estratégico mais importante do que o que lhe é atribuído. O valor real e o seu potencial produtivo são muito superiores ao valor facial projectado nas opções nacionais e na percepção geral dos portugueses.
A pandemia que estamos a atravessar sublinhou a importância estratégia da agricultura como sector de resposta à emergência, que assegura bens alimentares para os consumidores quando as cadeias de distribuição internacionais são interrompidas, mas também como pilar de sustentação das economias locais.
O Baixo Alentejo é um território rural, do interior, em que coabitam paisagens tradicionais, culturas tradicionais e novas abordagens produtivas geradas com o acesso á água do Alqueva. A agricultura é uma das expressões da nossa identidade, uma parte do desenvolvimento local e um elemento estrutural de afirmação do território no âmbito da economia nacional e da sua capacidade exportadora. Naturalmente, em tempos de ajustamento a novas realidades, como a da valorização do potencial do Alqueva, precisamos de encontrar novos pontos de equilíbrio, na intensidade, na ocupação e na sustentabilidade, mas, num território rural e do interior, o bom senso é a resposta para gerar oportunidades de emprego e de geração de riqueza. Não será com fundamentalismos que correspondemos às necessidades das populações e dos territórios.
Precisamos de continuar a compatibilizar as tradições e as inovações, o sequeiro e o regadio, num diálogo de vivência e de sobrevivência com o meio-ambiente que sempre caracterizou a nossa terra. Somos parte das dinâmicas do montado, das explorações agro-alimentares, da produção de animais e de interacções com o meio-ambiente que perduram há séculos, que geraram produtos alimentares de excelência, que são a base da nossa gastronomia e fazem a diferença junto de qualquer consumidor nacional ou internacional. Somos bons naquilo que fazemos, apesar das adversidades.
E as nossas gentes sempre se confrontaram com adversidades estruturais, da falta de vontade política para os pressupostos da actividade agrícola e da criação de animais, no fundo de valorização do Interior, a novas realidades que se projectam nas actividades humanas como as das expressões das alterações climáticas e o surgimento de pragas e doenças que ameaçam as espécies existentes e produzidas. Este contexto, dos riscos e das adversidades sublinham a importância de continuar a dar expressão concreta e consequente à ideia da valorização do Interior como activo nacional de promoção da coesão nacional e da afirmação do nosso potencial produtivo.
O Baixo Alentejo disse sempre presente e tem condições para continuar uma senda afirmativa da capacidade produtiva do seu Mundo Rural, assim se concretize tão rápido quanto possível a ligação da Barragem do Roxo à Barragem do Monte da Rocha; se assegure sustentabilidade de financiamento nos pressupostos da actividade agrícola e na produção animal, da electrificação aos caminhos rurais; se consiga gerar condições para que a produção e a transformação dos produtos da região possam incorporar mais-valias que cheguem a quem produz e que as cadeias de distribuição tradicionais ou digitais apostem de forma sustentada nos produtos nacionais.
Portugal precisa da capacidade produtiva do Baixo Alentejo. Os nossos territórios precisam de ser valorizados, com opções que se traduzam em desenvolvimento local, em oportunidades para quem cá vive e para quem cá queira viver, em opções de sustentabilidade e factores de atracção que invertam as tendenciais negativas estruturais de anos de falta de atenção do poder central.
A agricultura do Baixo Alentejo, como de outros pontos do país, é um pilar de resiliência em emergência, mas tem de ser uma aposta sustentada de valorização da actividade, de quem a desenvolve e dos seus produtos. Como em tantas outras áreas, produzimos com uma qualidade que se diferencia, temos condições para o fazer, num ponto de equilíbrio adequado para os recursos e para as populações, e precisamos desse impulso para gerar oportunidades, fixar população e sustentar as dinâmicas locais.
O nosso Mundo Rural é hoje uma incontornável mais-valia para a economia nacional. Precisa de ter a atenção política e o investimento adequados à sua relevância estratégica como elemento de coesão territorial, de exportação e de auto-suficiência nacional em emergência.
Este é um desafio nacional, mas também da União Europeia, que deverá aprender a lição da importância dos Estados-membros manterem uma capacidade sustentada de abastecimento próprio das cadeias de distribuição alimentar das suas populações perante adversidades pandémicas ou climáticas que tendem a ser mais frequentes.
Os desafios são enormes, os baixo-alentejanos sempre disseram presente!



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Data: 20/11/2020
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