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sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Saúde. Homem vítima de atropelamento demorou seis horas a chegar a hospital de Lisboa e acabou por falecer
Atraso do INEM causa polémica em Odemira
Presidente da Câmara Municipal está confiante que as condições de assistência médica urgente vão ser melhoradas no concelho.
O presidente da Câmara Municipal de Odemira, António Camilo, reconheceu quarta-feira, 17, ter ficado demonstrado que, devido à “gravidade das lesões”, o estado do homem vítima de acidente rodoviário no concelho, que acabou por morrer, era “irreversível”.
“Ficou demonstrado, por responsáveis das várias entidades e por especialistas da área da Saúde, que não havia nada a fazer porque o estado do ferido, qualquer que fosse o cenário do socorro, era irreversível”, disse.
António Camilo falava à Agência Lusa após participar na reunião, realizada, em Lisboa, entre o ministro da Saúde, Correia de Campos, e representantes de entidades envolvidas no socorro à vítima do acidente rodoviário o corrido, na semana passada.
O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), a Administração Regional de Saúde do Alentejo, representantes do Hospital de Santa Maria e do Centro Hospitalar de Beja, o presidente da Câmara de Odemira e o governador civil do distrito de Beja foram alguns dos presentes.
Após a reunião, o Ministério da Saúde revela, em comunicado, ter concluído que o socorro prestado ao homem vítima de atropelamento foi correcto e afastou a realização de inquérito.
“Concluiu-se que as intervenções do INEM, através do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), acção do Centro de Saúde de Odemira e o acolhimento no Hospital de Santa Maria foram correctos e cumpriram as normais orientações de serviço”, anunciou o Ministério.
A 8 de Janeiro, um homem de 54 anos, que sofreu ferimentos graves ao ser atropelado, na zona de Odemira, só deu entrada no Hospital de Santa Maria, mais de seis horas após terem sido accionados os primeiros meios de socorro.
A vítima foi transportada para o Centro de Saúde de Odemira e assistida, depois, pela Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Beja, accionada para o local, sendo finalmente transferida de helicóptero para Lisboa, onde acabou por morrer na quinta-feira, 11.
António Camilo lamentou a morte do habitante do seu concelho, mas reconheceu que, depois de ouvir as explicações das entidades envolvidas no socorro, “não havia possibilidades de fazer as coisas de outra maneira”.
“Acho que, realmente, o tempo que todo o socorro levou foi muito mas, devido à sucessão dos acontecimentos, provocados pela gravidade do ferido, não havia nada a fazer”. Tecnicamente, só seria possível evitar esta situação, se existisse uma VMER em Odemira”, afirmou.
Contudo, António Camilo considerou que “não é viável” estacionar uma VMER no concelho, não só porque “acidentes deste tipo não são frequentes”, como também porque faltariam médicos para tornarem operacional essa viatura.
“Há lugar para 23 médicos no centro de saúde local e nunca lá estão colocados mais de 10 ou 12, porque os concursos que vão sendo abertos ficam desertos. Pelo número de médicos e de acidentes que acontecem, uma VMER ficaria metade do tempo parada”, admitiu.
A reunião serviu também para analisar as formas de melhorar o desempenho da rede de urgência/emergência no Alentejo e, mais especificamente, em Odemira, o concelho mais extenso do distrito de Beja, cidade da qual dista 100 quilómetros.
“Estou feliz pelo reconhecimento de que Odemira precisa de uma atenção particular e, além do centro de saúde local vir a ter um Serviço de Urgência Básica (SUB), há a fortíssima possibilidade de sermos dotados com uma viatura com equipamentos de suporte intermédio de vida, capaz de uma resposta de primeira linha”, avançou. Um meio móvel, com a parceria dos bombeiros e autoridades de Saúde, vaticinou o autarca, que já permitiria “encurtar o tempo do socorro”, evitando a deslocação da VMER de Beja, e “ganhos ao nível dos equipamentos actualmente disponíveis”.
Ministério da Saúde iliba INEM em Odemira
O Ministério da Saúde concluiu quarta-feira, 17, que foi correcto o socorro prestado ao homem vítima de acidente, na zona de Odemira, que viria a falecer.
“Concluiu-se que as intervenções do INEM, através do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), a acção do Centro de Saúde de Odemira e o acolhimento no Hospital de Santa Maria foram correctos e cumpriram as normais e orientações de serviço”, anunciou, em comunicado, o Ministério da Saúde.
O ministro, Correia de Campos, determinou “que não há lugar a procedimento de inquérito”, uma conclusão divulgada no final de uma reunião entre representantes de entidades envolvidas no socorro à vítima do acidente de viação, destinada a analisar as formas de melhoria do desempenho da rede de urgência/emergência do Alentejo.
Estiveram reunidos o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), a Administração Regional de Saúde do Alentejo, representantes do Hospital de Santa Maria e do Centro Hospitalar de Beja, o presidente da Câmara de Odemira e o governador civil de Beja.
O ministério anunciou ainda a entrada em funcionamento de duas novas Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER), uma em Évora e outra em Portalegre, além de um “plano da via verde coronária” e formação especializada às tripulações de ambulâncias do INEM e dos bombeiros.
O concelho de Odemira, como o de Castro Verde, Serpa e Moura, vão ter, cada um, uma Unidade de Urgência Básica (SUB) com meios reforçados, depois da aprovação da rede de urgências, recorda o Ministério. O funcionamento do Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde “aliviará fortemente o sistema de emergência de chamadas devidas a situações correntes, tornando-o mais disponível para situações mais complexas”. Segundo o Ministério da Saúde, “todas estas medidas estão a ser aplicadas com carácter prioritário”.