07h00 - sexta-feira, 23/11/2018

Fábrica de ‘cannabis’ medicinal em Aljustrel

A empresa RPK Biopharma, ligada ao grupo internacional Holigen, vai avançar com a criação de uma unidade de produção de cannabis medicinal na freguesia de São João de Negrilhos, no concelho de Aljustrel. As obras da fábrica avançam ainda no primeiro semestre de 2019 e deverão estar concluídas um ano depois, num investimento total a rondar os 40 milhões de euros.
“Estamos a fazer o licenciamento junto do Infarmed [que tem por missão regular e supervisionar os sectores dos medicamentos, dispositivos médicos e produtos cosméticos e de higiene corporal em Portugal] e, neste momento, estamos numa fase em que precisamos apenas de construir para ser feita uma inspecção às nossas instalações, para nos autorizarem o início da actividade”, revela ao “CA” o director de operações da RPK Biopharma.
De acordo com Aldo Vidinha, o projecto tem vindo a ser trabalhado “há cerca de ano e meio” em conjunto com a Câmara de Aljustrel e prevê a criação de uma unidade de produção de produtos farmacêuticos a partir de cannabis na área do Complexo Agro-Industrial do Roxo. “Será a maior instalação mundial em termos de capacidade de produção. Estamos a falar de mais de 70 hectares, com uma capacidade de produção anual de 700 toneladas”, explica.
Nesse sentido, a par da unidade de transformação está previsto o cultivo de nove hectares de cannabis durante o segundo semestre de 2019. A segunda fase de cultivo ao ar livre avança na segunda metade de 2020, com a plantação de mais 65 hectares. A RPK vai ainda ter mais três hectares de plantação em estufa. “E como vamos necessitar de óleos vegetais para formulação do produto final, a nossa expectativa é trabalhar localmente, para comprar aos produtores locais e não ir buscar fora”, acrescenta Aldo Vidinha.
A abertura da fábrica de transformação de cannabis medicinal da RPK Biopharma vai permitir a criação de 150 novos postos de trabalho directos na freguesia de São João de Negrilhos. A produção destina-se, sobretudo, ao mercado internacional.
Aldo Vidinha revela ainda que a RPK Biopharma escolheu o concelho de Aljustrel para concretizar este investimento devido à garantia de disponibilidade de água durante todo o ano através do aproveitamento hidro-agrícola do Roxo.
“Outra razão é que os terrenos daqui são muito férteis. E depois temos agricultores especializados, que já trabalharam, inclusivamente, no cultivo de papoilas – que também está relacionado com o mercado medicinal. Ou seja, são pessoas já com algum expertise que nos podem ajudar a desenvolver o nosso negócio e o concelho de Aljustrel”, conclui o director de operações da RPK Biopharma.
Para o presidente da Câmara de Aljustrel, o projecto da RPK Biopharma para o concelho comprova o trabalho de “diplomacia económica” que a autarquia tem vindo a realizar, no sentido de cativar novos investimentos para o território, além de confirmar os novos horizontes que se abrem de momento à região através do Alqueva.
A isto Nelson Brito junta ainda o facto de o projecto nascer numa freguesia rural, “onde o território é mais despovoado e tem mais dificuldades”. “Isso permite –é aquilo que esperamos– a fixação das populações”, argumenta o autarca, lembrando que a empregabilidade é decisiva para o futuro do concelho (e da região).
“É a empregabilidade que nos permite lutar por melhores condições, que fixa pessoas e que dá dinâmica económica ao concelho. Todas as nossas ambições e reivindicações fazem-se com a fixação de pessoas”, reforça.
Por isso mesmo, o autarca destaca o facto de o investimento da RPK Biopharma prever, a par da produção, a transformação do produto. “Esperamos que de futuro, nós em particular e a região em geral, consigamos começar a tratar e transformar aquilo que é o aumento da nossa produção. E que o que já é comum com os lagares de azeite aconteça também com as hortícolas e frutícolas. É isso que cria valor acrescentado e é por essa via que a região beneficiará de mais emprego de qualidade e permanente”, conclui Nelson Brito.

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